A coluna Radar (Veja) desta semana recorre ao velho estratagema de se distinguir fazendo a mesma coisa. Sob o título “Ninguém foi sondado ainda”, deu a seguinte “informação”:
Dilma Rousseff por enquanto não convidou ninguém para o seu ministério. E provavelmente não fará movimento algum nesse sentido em novembro. Tudo caminha para que os convites e os anúncios oficiais sejam feitos a partir da primeira quinzena de dezembro. O que há até agora no noticiário são as especulações de prxe, algumas com bastante lógica e outras completamente destituídas de bom senso.
A cara-de-pau é tamanha que merece uma análise por partes:
Dilma Rousseff por enquanto não convidou ninguém para o seu ministério.
É a típica afirmação irrefutável – no mau sentido. Se Dilma de fato não convidou, está certa. Se convidou, mas não divulgou oficialmente, não há como dizer que está errada.
E provavelmente não fará movimento algum nesse sentido em novembro.
Essa acerta na malandragem e na imprecisão. Primeiro, como a coluna foi fechada às vésperas do feriado de 15 de novembro, a previsão não se refere a um mês inteiro, mas somente a 15 dias. Segundo, o “provavelmente” torna impossível errar; o chute vai na mosca se houver ou não o movimento.
Tudo caminha para que os convites e os anúncios oficiais sejam feitos a partir da primeira quinzena de dezembro.
Mais uma mistura magistral de malandragem e imprecisão. Como a posse é no dia 1º de janeiro, nada mais natural que os convites e os anúncios sejam feitos em dezembro. E o “a partir da primeira quinzena”, ou seja, na primeira ou na segunda quinzena, garante mais um chute certeiro.
O que há até agora no noticiário são as especulações de praxe, algumas com bastante lógica e outras completamente destituídas de bom senso.
Uma meia-verdade. Há, como se vê, uma terceira categoria: as especulações com bastante lógica e completamente destituídas de bom senso.