Xingatório da Imprensa

dezembro 30, 2004

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O mico e os macacos

“Parei”. Com essa declaração bombástica, atribuída a Romário, O Globo publicou na última terça-feira um dos maiores micos do ano. O mico, é claro, teve filhotes. Todos os jornais do Rio, e alguns de outros estados, com a louvável exceção do Jornal dos Sports, encamparam a notícia às cegas.

Hoje, quinta-feira, como se nada de extraordinário tivesse acontecido, destacam o desmentido de Romário. O Globo, enxugando gelo, diz que o atacante “voltou atrás”. Quem conhece o histórico de furos do colunista responsável pela bomba, porém, sabe que a explicação pode ser bem diferente. Mas nada como um mico depois do outro.

[Atualização: O Dia, pelo menos, não perdeu a oportunidade de alfinetar o colunista. Estampa na capa do caderno Ataque de hoje: “Que barriga, peixe!”]

dezembro 20, 2004

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O furo do furo

Sob o imodesto título “Parem as máquinas”, a coluna Gente Boa (O Globo) desta segunda-feira brinda seus leitores com a informação de que “Assíria, a evangélica mulher de Pelé, acaba de descobrir que descende de judeus”. O início da nota não deixa dúvidas sobre sua exclusividade: “Furo jornalístico no mundo judaico”. Pena que também tenha saído na Época. Nas bancas desde sábado.

dezembro 7, 2004

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Fórmula certeira

Sou da época em que a matemática era uma ciência exata, mas a imprensa carioca parece querer me mostrar que os tempos mudaram. Pois vejamos. Segundo O Globo e JB, que têm como consultor o matemático Tristão Garcia, a situação do Guarani, penúltimo colocado no Campeonato Brasileiro, é dramática: a probabilidade de o clube cair é de 90%. Mas, se o Bugre acreditar no não menos matemático Oswald de Souza, fonte da TV Globo, a situação é um pouco menos pior: o risco de cair passa a 88%.

O mesmo vale para Atlético-MG (82% e 77%), Vitória (42% e 45%), Criciúma (30% e 31%)… Na verdade, os dois só concordam em dois casos, o do Botafogo (22%) e o do Grêmio – em que uma divergência em relação aos 100% seria mesmo esdrúxula.

Mas, afinal, qual dos dois está matematicamente correto? Provavelmente nem um nem outro. Os cálculos levam em consideração fatores como o desempenho dos clubes em casa e fora e os resultados dos adversários. Ou seja, para um time que perdeu a maioria dos jogos disputados no campo do adversário e viaja para enfrentar dois times bem posicionados nas últimas rodadas, o normal será perder. O problema é que, como nossa imprensa bem sabe, mas prefere fingir que não para poder esquentar as últimas rodadas sem crise de consciência, a graça do futebol é a enorme chance de algo inesperado acontecer. Uma chance de quase 100%. Ou 98%.

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