Xingatório da Imprensa

abril 20, 2010

O samba não morreu

Filed under: Uncategorized — elpydiophragoso @ 4:18 am

Na última CartaCapital, datada de 21 de abril de 2010, a coluna Brasiliana conta um pouco da história do bar Bip Bip, localizado no Rio de Janeiro. A ilustrar o texto, quatro fotos, duas destacando o sambista Walter Alfaiate. E a legenda não deixa margem a engano: “O pequeno bar de Alfredinho atrai bambas da estirpe de Valter Alfaiate (sic).”

Pelas fotos, parece o mesmo que morreu em 27 de fevereiro, aos 79 anos.

abril 10, 2010

Jornalismo, modo de fazer

Filed under: Uncategorized — elpydiophragoso @ 3:00 pm

Quando um presidente da República faz uma crítica casuística ao ordenamento jurídico de seu país, um veículo de imprensa pode reagir de duas formas: condenando subjetivamente tal comportamento por meio de um editorial ou relatando objetivamente a reação às declarações por meio de uma reportagem.

Ou pode misturar as duas coisas e ver se o público engole.

Quando William Bonner anunciou circunspecto, no Jornal Nacional da última sexta-feira, que “uma declaração do presidente Lula provocou reação imediata no Judiciário”, a expectativa era de que juízes e ministros dos mais diversos tribunais surgissem com palavras duras dirigidas ao presidente.

No entanto, o primeiro a dar seu depoimento na matéria, ainda que de fato indignado, foi Ophir Cavalcante, presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – que, ao que se sabe, ainda não faz parte do Judiciário brasileiro.

Somente em segundo lugar, mencionou-se, sem identificação por nome, o “presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros”, que em nota de fato baixou o sarrafo no comportamento de Lula.

Para dar o último toque de precisão jornalística, e quem sabe justificar o tom grandíloquo do iníco da matéria, guardou-se para o fim o comentário de Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal.

Mendes, como de hábito, saiu-se com um comentário geral, apontado para ninguém: “Todos nós estamos subordinados à Constituição e à lei. A rigor, no chamado estado de direito, esse é um aprendizado comum, nós não temos soberanos, todos estão submetidos à lei”. E não mencionou Lula.

E a “reação imediata no Judiciário” acabou por aí.

abril 6, 2010

A matemática automobilística da indústria jornalística

Filed under: Uncategorized — elpydiophragoso @ 2:44 am

Dois importantes jornalísticos decidiram manifestar-se sobre o peculiar preço dos carros no Brasil nos últimos dias e, na empolgação em expor tão relevante tema, aproveitaram para torturar os números e a lógica.

O Jornal da Globo da quarta-feira, dia 31 de março, até começou bem. Depois de citar o exemplo de um carro anônimo que custa R$ 32 mil no Brasil, R$ 22 mil na Argentina e R$ 18 mil no México, informou que “diferenças tão grandes nos preços são explicadas, em parte, pelos impostos”, mas ressaltou que “as montadoras aproveitam o bom desempenho do Brasil para aumentar a margem de lucro”.

No comentário subseqüente, porém, Carlos Alberto Sardenberg ignorou os dados da reportagem e vaticinou que a culpa é toda da carga tributária.

Talvez entusiasmado com a desinibição do colega global, o colunista Lauro Jardim resolveu estampar na Veja datada de 7 de abril a seguinte pérola, em forma de nota:

Se você se encantou com o City, o último modelo que a Honda lançou no Brasil, vai pagar 53.000 reais nas concessionárias para comprá-lo. Beleza. Mas bom mesmo é para os mexicanos: lá, o mesmíssimo carro, fabricado em São Paulo e exportado para o México, é vendido pelo equivalente a R$ 26.000. Essa diferença, resultado de um acordo automotivo entre os dois países que elimilina impostos, tem nome e sobrenome: custo Brasil.

O raciocínio (?) de Jardim é simples. A carga tributária sobre automóveis no México é de 20%; no Brasil, de até 40%. Pronto: o dobro de tributos, o dobro do preço. Como todos sabemos, os carros em si têm preço zero, e o consumidor, na verdade, só paga tributos.

E, claro, por essa matemática, as filiais brasileiras das montadoras multinacionais têm batido recordes de remessa de lucros às matrizes por pura competência gerencial.

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