Xingatório da Imprensa

abril 12, 2011

Armada e perigosa

Filed under: Uncategorized — elpydiophragoso @ 1:45 pm

O debate é acirrrado, todo mundo sabe, como já restou comprovado pelo referendo de 2005. Aliás, agora, um dos argumentos mais fortes – e legítimos – pelo desarmamento é justamente o da manutenção das regras do jogo. A Veja, no entanto, insiste em jogar com, ahm, todas as armas. Mistura descaradamente reportagem e editorial, fato e opinião, tratando seu leitor como idiota.

Na página 95 da edição desta semana, em meio a extensa cobertura sobre o massacre de Realengo, há uma pérola de duas colunas sob o título “O alvo errado, mais uma vez”. Texto sem assinatura, e sem conteúdo estritamente jornalístico, como sói acontecer quando a direção da revista deseja lançar uma tese sob vestimenta de fato.

Uma das pérolas é oferecer ao leitor, em manjado sofisma, a idéia de que as duas armas usadas pelo matador nunca foram legais. “Uma havia sido roubada, outra tinha a numeração raspada”, afirma o texto. O que Veja não diz é que, por sua própria “informação”, as duas já foram um dia legais. E este, curiosamente, é um dos principais argumentos da banda pró-desarmamento: armas legais alimentariam, indiretamente, o mercado ilegal, devido a furtos, roubos e desvios. Mas ninguém vai saber disso lendo a Veja.

O trecho mais surreral, porém, fica para o fim do panfleto. Veja “prova” seu argumento afirmando que “países em que armas de fogo são proibidas também foram palco de ataques em escolas”. E desencava o caso de um homem que matou oito crianças a facadas numa escola de Osaka. Só esquece de fazer uma pergunta jornalística: quantos esse sujeito teria matado se tivesse dois revólveres a mão?

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